| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Anseriformes |
| Família: | Anatidae |
| Leach, 1820 | |
| Subfamília: | Anatinae |
| Leach, 1820 | |
| Espécie: | H. atricapilla |
A marreca-de-cabeça-preta é uma ave anseriforme da família Anatidae.
Seu nome científico significa: do (grego) heteros = diferente; e nëtta = pato; e do (latim) ater = preto; e capillus = cabelo da cabeça. ⇒ Pato diferente com cabelo preto. “Pato cabeza negra” de Azara (1802–1805) (Heteronetta).
Mede entre 35 e 43 centímetros de comprimento. O macho e pesa entre 434 e 680 gramas e a fêmea entre 470 e 720 gramas.
O macho possui cabeça negra e bico preto com a base proximal da maxila de coloração vermelha. Esta base vermelha na maxila é sazonal e está presente apenas durante o período reprodutivo. A região dorsal apresenta coloração preta-acastanhada, minuciosamente manchada e vermiculada com canela ou castanho pálido. As pontas das rêmiges secundárias e das coberteiras são brancas, formando duas estreitas barras alares brancas. O peito castanho e o ventre brancacento, são manchados de marrom, dando a estes uma aparência marmórea.
Tarsos e pés são castanho-acinzentado escuro com sombreamento esverdeado. Íris marrom.
A fêmea é maior, apresentando plumagem parda e uma faixa superciliar branca. A face da fêmea é esbranquiçada; seu mento e garganta são brancos.
O imaturo é semelhante a fêmea da espécie.
Os pintainhos são de coloração amarelo escuro característica, com manchas preto-amarronzadas. Como característica distintiva, apresenta uma linha vertical fina e escura que corta a sobrancelha amarela ligando o olho a coroa. Maxila preta com as bordas amarelas, mandíbula amarelada. Pés de coloração cinza escura (Blake, 1977).
Espécie monotípica (não são reconhecidas subespécies).
(IOC World Bird List 2017; Aves Brasil CBRO 2015).
A marreca-de-cabeça-preta se alimenta principalmente pela manhã, mergulhando a cabeça e filtrando a lama. Come principalmente material vegetal, como sementes, tubérculos subterrâneos, folhagem herbácea verde de gramíneas aquáticas e juncos, gramíneas marinhas e ervas daninhas de lagoas submersas. Também podem comer alguns invertebrados aquáticos. Segundo Weller (1967) a análise de algumas moelas indica que alimenta-se de sementes e também de caracóis.
Como cerimônia pré-nupcial, o macho estica o pescoço e infla bolsas bilaterais presentes nas bochechas bem como a porção superior do esôfago, eriça as penas da cabeça e pescoço e balança a cabeça para frente e para trás para atrair suas parceiras.
Machos e fêmeas acasalam-se com vários companheiros durante a época de reprodução (Hohn, 1975). Reproduzem duas vezes por ano, no outono e na primavera. As fêmeas colocam seus ovos nos ninhos de outras espécies. Depositando 2 ovos, em média, por ninho. O ovo é branco mede 43 x 58 mm; o período de incubação é de cerca de 24 a 25 dias. As espécies hospedeiras da marreca-de-cabeça-preta fornecem cuidados parentais apenas para incubação, sendo que os pintainhos incubados pelo hospedeiro permanecem no máximo 1 ou 2 dias no ninho antes de deixa-lo por conta própria (Weller, 1968).
São aves migratórias, voando em bandos de até 40 aves. Como não fazem ninhos, eles não são territorialistas. Eles se movem por uma grande área a procura de ninhos de hospedeiros. As marrecas-de-cabeça-preta se alimentam principalmente no início da manhã, descansam em terra durante o dia e nadam principalmente durante a noite. Durante a noite, tanto o indivíduo masculino quanto o feminino patrulham os locais de nidificação próximos procurando por hospedeiros adequados (Rees & Hillgarth, 1984 ; Weller, 1968).
Habita banhados sem vegetação alta. Encontrado em pântanos de água doce semi-permanentes, dominados por extensas áreas colonizadas por totora (Scirpus californicus). Fora da estação de reprodução pode ser vista em lagos, valas na estrada e às vezes em campos inundados (Weller 1967).
Ocorre do norte do Chile e Argentina ao Uruguai, Paraguai e Bolívia. No Brasil, é observado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Consulta bibliográfica sobre as subespécies: